Tue 2 Mar 2010
Sobre a mentira como amortecedor social
Escrito por Val Pinheiro em UncategorizedOs melhores amigos sabem como prezo a sinceridade. Acima dela, o único valor que há pra mim é a justiça. Desde adolescente – aliás, creio que desde criança – não costumo fingir pra agradar ninguém. Não ficava nas rodinhas mais populares na escola pq não me sentia bem, não ficava falando idiotice e ouvindo música horrível nos sítios da turma pra me sentir parte deles e, enquanto adulta, não me permito amizade e amor por conveniência.
E por ser sincera demais, claro que pago muito caro. E um dos preços me foi cobrado na véspera do meu carnaval. Uma criatura que não troca uma palavra comigo pessoalmente há mais de 6 anos me colocou numa situação tão indelicada com amigos e primos que quase desisto de viajar. E, quando consegui descobrir o que acontecia, chego ao denominador comum da maioria dos problemas do mundo: a mentira e a falta de coragem de enfrentar os problemas de frente. A justificativa disso ter sido usado por uma pessoa muito próxima a mim foi, também, a de sempre: para evitar confusão, briga.
Fiquei impressionada que uma pessoa que me conhece há mais de 10 anos e que se tornou uma das melhores amigas há mais de 3 anos não tenha ainda me conhecido de fato e entendido que eu não tenho problema com discussão. Eu tenho problema com coisa debaixo do tapete.
Eu sei, eu sei, eu seeeei que não posso querer que todo mundo veja o mundo como eu o vejo. Mas também não me venham exigir que eu julgue a ação dos outros com valores que não são meus. Reviver essa história pra escrever aqui tá me fazendo mal, então eu vou parar. E deixo um recado, pra “ruma” de amigos queridos que eu sei que me lêem: não minta pra mim. Isso eu não vou esquecer… por mais boa intenção que você tenha, ela é anulada pela sua falta de coragem de lidar com uma pessoa como eu. E se quiser meias-palavras, “mentiras sinceras”, melhor procurar outro ombro pra chorar. E bola pra frente, que eu continuo com minha consciência limpíssima.